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29 de abril de 2012

A ultima

"Então vão fazer 2 anos... 2 anos que perdi achando que tinha me achado... 2 anos que eu te vi pela primeira vez.

Me calei por muito tempo pois fui feliz. Fui feliz e não sabia. Fui feliz e mal dizia.

De um tempo pra cá muitas coisas aconteceram, minhas amizades mudaram completamente, sua presença tornou-se irrelevante. Nenhum assunto acabava ou começava em seu nome. A não ser quando falávamos em putas (se é que você me entende). Oh sim, não amadureci como eu pretendia, é por isso que depois de ser usado eu chamo todas de putas. Em nenhum momento te chamo, nem quando preciso de dinheiro, ou mesmo outras coisas.

O que era diversão tornou-se chato, o que era chato tornou-se importante. O conhecimento adquirido foi armazenado de forma errada. Necessito de outro conhecimento, teu conhecimento não me interessa, é teu, pode ficar. Tu é tu, eu sou mais importante pra mim. Aprendi sozinho, desaprendi em conjunto. Me embriagava acompanhado, mas já nem tento me embriagar. Aprendi a fumar e jogar os filtros de cigarros nas pessoas que passam na rua.

Tudo passa, disse meu pai. Quando eu percebi que o que separava-nos era a proteção familiar foi tarde de mais. Doce ilusão, não consigo mais alimentar mentiras. O chocolate agora é amargo.

Pobre garoto que achou que ia ser feliz longe de todos, que achou que o dinheiro iria trazer felicidade."

10 de outubro de 2010

Negação

"Não nego... mas me recuso. Seria mesmo injusto da sua parte não querer me conhecer?
Enquanto algumas pessoas gostariam de me conhecer eu mesmo não dou esse direito à elas. Eu descubro que sou injuto como você! Mas afinal somos todos diferentes, seja em que ponto for.

Cruzo as ruas como de costume até que percebo que estou à frente de sua casa. Fecho os olhos e continuo o caminho sendo guiado por 'meu motorista' (você já deve estar sabendo quem anda dirigindo comigo). Não imagino nada, apenas me dilacero, me machuco, me mal-digo, me reprimo, me ignoro, ignoro tudo, penso em nada, mas penso em você, baixo minha cabeça para evitar qualquer visão, tampo meus ouvindo para não ouvir qualquer ruido, prendo a respiração para não lembrar do seu cheiro.

Não sou injusto, apenas não tenho tempo de conhecer algumas pessoas, mas seria possivel você ser que nem eu, seria possivel você se rebaixar a tal nível? Não consigo imaginar, é inconcebivel à mim ter tal pensamento. Ou sou superior em sua condição ou você é inferior na minha condição. Seria isso tudo uma questão de se mostrar superior ou algo que sem querer inferiorisa?
Paro pra pensar tais bobagens... Não, esqueça, meu dia foi bom.

Apenas quando cheguei em casa pude imaginar o que meus olhos poderiam ver.
A grama verde, as paredes brancas, os vidros relusentes e limpidos, quase transparentes, ou simplesmente toda a destruição, toda a decadência criada por minha cabeça. Poderia ver você ascenando, ou simplismente olhando pela janela, a sua janela, eu me jogaria dela em minha condição, cuidando das plantas e rindo como se aquilo fosse a coisa mais bela do mundo, e você sabe que já viu coisas melhores... me pergunto se você gosta de sofrer continuando aqui, continuando no meu pensamento e nas minhas linhas, continuando nesse mundo, e nessa cidade suja, onde só você conhece os lugares limpos, e é por isso que sempre sorri, você sabe de algo que eu não sei, e se nem sequer pretende me conhecer nem sequer pretende compartilhar.

Mais uma vez eu digo que nada você perde continuando onde está e vivendo onde está. Eu e somente eu, sei que se algo que esta sendo perdido essa perdição é minha, eu que estou perdendo de alguma forma alguma coisa, algumas informações e algumas felicidades, que eu poderia mutio bem ganhar com outras pessoas. Mas meu ser não deixa, de forma alguma, me forço, tento, brigo comigo mesmo, mas parece que esse sentimento por você insiste, apesar de até eu já odia-lo...

Amor e Odio, odeio te amar e amo te odiar. Mas não te amo, o amor deve ser algo mais forte"

Correspondências não Respondidas

29 de julho de 2010

Machuca

"Você me machuca, sem nem ao menos me tocar, sem nem ao menos falar comigo, sem nem me notar, sem nem me ligar, sem nem mandar mensagem, nem cartas, nem fotos, nem e-mails, olhares, gestos, comprimentos, beijos, carícias, sem nem ao menos lembrar que eu existo...

Você me machuca por existir, ou por fazer que eu tenha tido conhecimento da sua existência, por saber que você existe, por saber em parte "o que você é", "o que você foi", por sentir vontade de participar do seu "o que você vai ser".

Tudo lembra você: os momentos, as roupas, os sapatos, os cheiros, o meu, o seu, pessoas, carros, lugares, comidas, livros, filmes, objetos, minhas roupas, minha cidade, outras cidades, lugares, poucos lugares talvez, datas, atividades físicas, faculdades, pessoas, outras pessoas, números, fotos, comentários, músicas, músicas, e mais músicas, uma estação de rádio, dias nublados, caminhos, a serra, a tão pacata serra, os riscos no céu, as luzes da cidade, as avenidas, as bebidas, parei de beber.
Quando bebia eu conseguia sentir o tamanho da sua existência comparada a minha, a importância (tola) que eu dou a você, e o conhecimento que você não sabe nada sobre mim, e que não sente curiosidade em saber.
Te dou razão, não existe nada de curioso em alguém imaturo como eu, em alguém novo.
O medo da repetição, a repetição também me assusta, a repetição me cansa, me estressa, me deprime, reprime, enfraquece, empobrece, a repetição pesa, um peso sem valor exato, nada exato.

Esse sentimento bobo... eu preciso saber se é bobo mesmo, se realmente estou certo em relação ao que penso sobre mim mesmo...

Podemos tentar, eu posso, prometeria a mim mesmo viver sem pensar no futuro, pois quando se tem alguém que você possa transmitir todos os sentimentos todas as outras coisas se tornam simples de fazer, como estudar, andar de carro, escrever, sentir ...

Não machuca, mas eu prefiro ficar machucado agora do que me decepcionar depois... Mas estaria disposto a me machucar depois e me decepcionar agora...

A unica coisa que eu queria era que os anos se passassem mais rápidos do que um piscar de olhos, e que não houvesse preocupação se esse piscar de olhos demorasse muito."

Correspondências não Respondidas... Cartas para os mortos